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domingo, 8 de junho de 2014

MENTIRA INOFENSIVA

               “Apareça lá em casa!”

       Este é o tipo de frase que uma pessoa fala quando encontra alguém, aleatoriamente, em qualquer lugar, geralmente depois que trocam algumas ideias e na hora em que se despedem, uma das duas quase sempre solta esta mentira inofensiva: "APAREÇA LÁ EM CASA!". Então, por falta de assunto, já querendo encerrar o papo logo sai com esta: “Olá, tudo bem? Há quanto tempo não nos encontramos? Está sumido! Apareça lá em casa!”. E, obviamente, ninguém em sã consciência atende a este súbito convite assim sem mais nem menos. Principalmente por educação. Já que o mesmo foi feito atendendo a esta boa norma de conduta.

A única exceção para esta situação só acontece mesmo quando se trata de uma pessoa considerada chata ou sem escrúpulo, sem consciência, a qual leva a frase “apareça lá em casa” ao pé da letra. Portanto, isto é uma mentira inofensiva que perdura por muito tempo e nunca será extinta. Sobre isto, escreveu com precisão o egrégio Millôr Fernandes: “chata é aquela pessoa que não se vê há muito tempo e quando a encontramos de surpresa, educadamente dizemos: “Olá, amigo, apareça lá em casa”“! “E em seguida ele aparece, literalmente”.


                                         Joboscan de Araújo


                       

sábado, 31 de maio de 2014

O EXERCÍCIO DA PACIÊNCIA

                                   Esta é a história de um menino que tinha um mau caráter. Além disso, muito impaciente com as pessoas, para não dizer, encrenqueiro. Ofendia facilmente os companheiros e assim por diante. Então o seu pai resolveu entregar um saco de pregos e disse ao filho: cada vez que ofender alguém ou perder a paciência ele deveria pregar um prego atrás da porta.
                                  No primeiro dia, o menino pregou os primeiros pregos conforme o seu pai o tinha ordenado. As semanas que seguiram, à medida que ele aprendia a controlar o seu gênio, pregava cada vez menos pregos atrás da porta. Com o tempo descobriu que era mais fácil controlar seu gênio que pregar pregos atrás daquela porta. Quando chegou o dia que conseguiu controlar o seu mau gênio durante o dia todo, informou ao pai esta sua vitória. Este então sugeriu que ele retirasse um prego a cada dia que conseguisse controlar seu caráter. Os dias se passaram e o jovem conseguiu anunciar a seu pai que não havia maias pregos atrás da porta.
                                 Seu pai o pegou pela mão, o levou até a porta e lhe disse:
                                 -Meu filho, vejo que tens trabalhado duro, mas veja todos estes buracos que ficaram na porta. Dá para perceber que ela nunca mais será a mesma. Portanto, cada vez que você perde a paciência, deixa cicatrizes exatamente como estes buracos desta porta. Você pode insultar alguém e retirar o insulto, mas dependendo da maneira como fala poderá ser devastador e a cicatriz ficará para sempre. Portanto, uma ofensa verbal pode ser tão daninha como uma ofensa física.


                                                 Domínio Público

sexta-feira, 23 de maio de 2014

               “Apareça lá em casa!”

       Este é o tipo de frase que uma pessoa fala quando encontra alguém, aleatoriamente, em qualquer lugar. E por falta de assunto, logo sai com esta: “Olá, tudo bem? Há quanto tempo não nos encontramos? Está sumido! Apareça lá em casa!”. E, obviamente, ninguém em sã consciência atende a este súbito convite assim sem mais nem menos. Principalmente por educação. Já que o mesmo foi feito atendendo a esta boa norma de conduta.

A única exceção para esta situação só acontece mesmo quando se trata de uma pessoa considerada chata ou sem escrúpulo, sem consciência, a qual leva a frase “apareça lá em casa” ao pé da letra. Portanto, isto é uma mentira inofensiva que perdura por muito tempo e nunca será extinta. Sobre isto, escreveu com precisão o egrégio Millôr Fernandes: “chata é aquela pessoa que não se vê há muito tempo e quando a encontra de surpresa, educadamente se diz: “Olá, amigo, apareça lá em casa”“! “E em seguida ele aparece, literalmente”.

                                                   Joboscan de Araujo

segunda-feira, 12 de maio de 2014

PARADOXOS CORRIQUEIROS

46  - PARADOXOS CORRIQUEIROS

         “ESTA LARANJA É DOCE?”

              Quem se aproxima de uma banca de frutas num dia de feira, quase sempre ouve alguém fazer esta famigerada e atípica pergunta: “Esta laranja é doce?”. Coincidentemente, algumas vezes, isto ocorre no exato momento em que o (a) feirante está chupando uma. E a resposta óbvia, como não poderia deixar de ser é sempre a mesma e positiva: “Sim, senhor, sim, senhora, sim, jovem!”. Pois nunca passa pela cabeça do vendedor jamais depreciar o seu produto, ou seja, neste caso, falar ao contrário. Creio que nem mesmo um funcionário descontente e com raiva do patrão seria capaz de responder esta pergunta assim: “Não senhor, senhora ou jovem, esta laranja é tão azeda quanto um limão!”.
             Sendo assim, como é um costume fazer a tal pergunta quase ninguém percebe que ela envolve um paradoxo e também quem responde não tem tempo e nem quer saber disto, o que ele é quer mesmo é vender e bastante o seu respectivo produto, seja lá qual for. Principalmente, quando se trata de frutas, peixes, legumes, verduras, que são perecíveis. E quanto mais rápido vender, muito melhor para o dito cujo como para a freguesia, que termina levando para a sua casa algo de boa qualidade. Só que, repito, perguntar se uma laranja é doce será o mesmo que enxugar gelo, ou seja, será algo inútil.
                   É isso aí.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

43 – MENTIRAS INOFENSIVAS

          “NÃO SAIA DAÍ!”.

             Entende-se muito bem o que um apresentador de determinado programa de televisão quer dizer quando pronuncia esta frase: ”NÃO SAIA DAÍ!”.  Sem dúvida alguma, ele deseja chamar a atenção do (a) telespectador (a), convidando-o (a) a não mudar de canal. E pra atender este objetivo ele poderia sim usar outro argumento, outra chamada, como por exemplo: “Não mude de canal/volto já!”. Mesmo com esta diferença, este pedido não significa nada na concepção da pessoa que estiver assistindo a um programa qualquer. Afinal, onde está o livre arbítrio, a preferência do (a) telespectador (a)? Pensando bem, esta expressão “NÃO SAIA DAÍ” parece muito mais quando alguém está de castigo, principalmente, criança desobediente. Mas vamos supor que, quem ouvir este pedido sem sentido, coincidentemente, não saia do lugar onde estava quem vai garantir que a pessoa não usará o controle remoto e mudará de canal no momento em que desejar? Sendo assim, a tal solicitação “NÃO SAIA DAÍ” perdeu totalmente o sentido. Estou certo ou errado. Portanto, trata-se de uma MENTIRA INOFENSIVA ou até mesmo um PARADOXO CORRIQUEIRO do nosso cotidiano, por que não?


                                                                Joboscan de Araújo

domingo, 20 de abril de 2014

         4 – MENTIRAS INOFENSIVAS

                      “Está tudo bem... Você vai sair desta...”.
                Uma das mentiras mais suaves e inofensivas que se tem conhecimento, sem dúvida, é aquela em que é proferida no leito de uma pessoa moribunda. Já desenganada pelos médicos e todos já preparados psicologicamente, sabendo que o quadro de saúde daquela pessoa é irreversível, alguém diz carinhosamente a seguinte frase: “Não se preocupe, está tudo bem... Você vai sair desta!”.
                 Se a pessoa que se encontra nesta situação conseguir ouvir isto, sem dúvida, já será algo muito importante, agora se vai dar algum crédito nesta afirmação, aí são outros quinhentos. Ninguém saberá, uma vez que a vida dela está por um fio, é uma questão de horas ou minutos.
            Comenta-se até que há quem costuma até fazer gracinha com tal afirmação, completando-a assim: “O senhor ou a senhora vai sair desta... (para outra dimensão!”)

           Acho que brincadeira tem hora. Mas sempre existe alguém que gosta de fazer humor negro! É como se costuma dizer: cada um, cada um.

                                                                 Joboscan de Araújo

domingo, 6 de abril de 2014

CONCEPÇÕES DO COTIDIANO

1-      MENTIRAS INOFENSIVAS
-“Oh que lindo bebê!”.

       É impressionante quando uma pessoa, geralmente, costuma dizer a seguinte expressão com a maior simplicidade, quando vê um recém-nascido num berçário, nos braços de seus pais ou de outros familiares:
     -“Oh, que lindo bebê!”.
     Até aí tudo bem. Nada demais. É aceitável. Mas, o tipo de mentira inofensiva acontece quando, querendo agradar aos pais, em seguida dizem:
       - “É a cara do pai” ou “Tem a carinha da mãe!”.
          Se isto fosse mesmo verdade, o indefeso bebê já teria nascido sem fisionomia própria. Ainda bem que o “homenageado”, quase sempre dormindo, não capta nenhum destes comentários ou elogios. Mesmo que estivesse acordado daria no mesmo, ou seja, não entenderia patavina do que estariam falando ao seu respeito.
          Parodiando o escritor russo Tolstoi poderia escrever o seguinte: Todos os recém-nascidos se parecem; já os adultos, no afã de agradar, bajulam cada um à sua maneira.

          E este tipo de situação acontece em qualquer parte do mundo diariamente. E duvido que alguém consiga mudar este modo de agir das pessoas.

                                      Joboscan de Araújo

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"MALANDRONA" É A VOVOZINHA!

                   Se o motorista daquele carro pretendia só se esnobar ao assustar a motorista do carro ao lado, inclusive abalroando-o mesmo de leve, simplesmente caiu do cavalo, ou numa linguagem mais vulgar, se ferrou, para não dizer outro palavrão.
                   Este pequeno acidente, comparando com os inúmeros que acontecem diariamente numa metrópole como São Paulo, poderia até ter sido relevado se o irresponsável do infrator não tivesse sido covarde. Pois tão logo que bateu no carro da minha vizinha, por sinal, uma ótima motorista, o dito cujo teve o desplante de gesticular, pedindo pra ela estacionar, como se pretendesse conversar para um acerto de contas ou até mesmo se justificar, pedir desculpas etc. Porém, quando ele percebeu que ela ia parando no acostamento, o mesmo se evadiu, tentando se esquivar de um flagrante. Eu disse "tentando". Pois a Vânia, minha vizinha, num rompante de ódio, sem pensar um milésimo de segundo, começou uma perseguição cinematográfica ao motorista fujão. E em poucos minutos (eu disse que ela é uma ótima motorista, não foi?) conseguiu ultrapassá-lo e após um rápido cavalo de pau foi tomar satisfações:
               -Escuta aqui, ó cara, só porque eu sou mulher, você quis me fazer de trouxa?
               -Calma aí, malandrona, você está nervosa? - Quis tirar uma o descarado.
               -Olha aqui, seu otário, eu não sou malandrona não, mas conheço muitos! Você quer ver?
                 E imediatamente ligou primeiro para a polícia e logo a seguir para um conhecido da pesada, o qual se prontificou mandar um representante. Dito e feito. A polícia não apareceu, como sempre, mas em poucos minutos parou um carrão daqueles de última geração e desceu um representante, literalmente, de peso. O cara media mais de dois metros e além disso, muito forte. Diante deste quadro, os marmanjos que pensavam que tudo não passava de conversa fiada da motorista, rapidamente afinaram e tentaram sair pela tangente:
               -Olha, está tudo bem! Já Conversamos e...
               -Está tudo bem é o c.....Se eu não arriscasse a minha vida perseguindo você neste momento estariam rindo da minha cara. Sai dessa, não conversando e não acertamos bosta nenhuma.
                Foi aí que o representante do homem da pesada resolveu abrir a boca:
                -O negócio é o seguinte, mano, passa o seu CPF, telefone, endereço e logo que ela aqui fizer o orçamente eu vou lhe procurar, tá entendendo ou não?
                Depois disto queles caras quando ouvirem a frase cheia de deboche: "Mulher no volante, perigo constante" dificilmente irão dar risadas e doravante, quem sabe, respeitarão as próximas motoristas quem encontrarem pelas ruas, avenidas ou rodovias. Afinal, como diz o ditado popular: "Respeito é bom e conserva os dentes!"

                                                  João Bosco de Andrade Araújo

                                                 www.joboscan.net
             

sexta-feira, 7 de março de 2014

A MULHER E O SUTIÃ APERTADO

            Se aquela mulher não fosse reclamar que aquele sutiã estivesse tão apertado, não resta dúvida, ninguém iria saber ou perceber. Afinal só ela sentia na pele, literalmente, o quanto a estava incomodando. Tudo bem, é um direito de todo o consumidor reclamar. Só que em todo o caso, sempre é recomendável usar o bom senso, a educação etc.
           Por esta, sinceramente, eu não esperava. Estava eu sendo atendido por uma funcionária de um caixa de supermercado quando, de repente surge uma senhora e sem pedir licença perguntou se ela se lembrava que a atendeu naquele dia. É óbvia que a resposta foi negativa, considerando a quantidade de cliente que ela costuma atender durante o seu expediente. Mesmo assim, aquela cliente, fazendo-se de desentendida, teve a petulância, a desfaçatez de mostrar o sutiã, alegando que o mesmo estivesse apertando os seus seios. A moça do caixa não se preocupou de averiguar esta queixa e procurou disfarçar, falando que ela fosse procurar o gerente ou outra pessoa responsável pela troca daquela mercadoria. Sentindo-se insatisfeita, teve a pachorra de me mostrar a tal peça íntima como querendo que eu talvez apalpasse  aquele sutiã para confirmar que o mesmo estivesse realmente inadequado, apertado etc. Fingi que não ouvi aquela proposta e também procurei disfarçar. Percebendo que aquela cliente já estivesse incomodando e atrapalhando o seu serviço, a funcionária daquele supermercado, educadamente, pediu licença e foi procurar alguém para retirar e orientar aquela senhora. Dito e feito. Então, para espairecer um pouco aquele clima tenso simplesmente falei:
             -Agora imagina se esta senhora tivesse comprado outra peça íntima nas mesmas circunstâncias, isto é, estiver apertada e ela quisesse provar, mostrando-a?
             -Deste tipo de gente eu não duvido nada.
              Para as cabecinhas sujas de plantão informo que este fato é verídico, mas com uma grande ressalva: o sutiã que aquela freguesa citada veio reclamar estava dentro de uma sacolinha de supermercado e quando ela me pediu que averiguasse o defeito da peça simplesmente a tirou do recipiente, mas mesmo assim ignorei, pois esta não é a minha praia. Agora, dependendo da mulher e quem sabe, em outras circunstâncias, pediria que se livrasse urgentemente daquele maldito sutiã apertado....
JOBOSCAN
Enviado por JOBOSCAN em 28/02/2014
Código do texto: T4710304 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

CRÔNICAS DO COTIDIANO

SABER RELEVAR É UMA VIRTUDE ÓTIMA!

             Todos sabemos que ninguém é dono absoluto da verdade. E quando me refiro assim é mais uma alusão às desavenças, litígios, brigas entre casais. Quanto a isto, não importa se isto ocorre durante a convivência durante o namoro, noivado ou casamento.
             A verdade, neste caso, refere-se quando um dos parceiros confunde liberdade com libertinagem. Pois a primeira exige acima de tudo, responsabilidade. Sem esta, transforma-se no segundo item e é aí que mora o perigo. Pois quando cada um pretende agir à sua maneira, sem respeitar o direito do outro, a celeuma estará prevista.
             Ora, se se assume um compromisso com uma pessoa, apesar do mesmo ainda não ter sido assinado e com a devida presença de testemunhas, obviamente que, a partir deste momento sempre é viável e bom saber relevar alguma atitude do parceiro e principalmente dando as devidas e sutis explicações dos seus atos, o que muitos confundem erroneamente com 'pedir permissão' para isto ou aquilo, o que não condiz com a verdade. E também não se trata muito menos de cercear, vigiar tudo o que o (a) outro (a) faz porque afinal, ninguém gosta de se relacionar e muito menos conviver com uma pessoa com um caráter assim.
             Em meio a este modo de saber levar a vida entre pequenos gestos de perdas e ganhos, um dos membros do casal começa a demonstrar insatisfação, com sintomas de saturação, quando por, imaturidade se diz 'enjoado (a)' com o (a) outro (a), como se referisse a uma determinada iguaria ou guloseima. Até mesmo este tipo de referência é algo fugaz. Pois sabemos que, se hoje não estamos a fim de algo, amanhã ou depois tudo pode ser diferente. Ou seja, tudo é relativo. Por isso, dizer a outra pessoa que está enjoado (a) dele (a) é de uma imaturidade, infelicidade sem precedentes. Além de ser um menosprezo pelo semelhante, chega a ser uma injustiça, pois dizer isso é o mesmo que 'coisificar' alguém. E é aqui que surge a pergunta que não quer calar; Quem gostaria de ser comparado a um objeto? Lógico que ninguém. Nem aquelas pessoas mais simplórias que andam sem rumo pelas ruas. Pois, apesar desta condição sub-humana, antissocial, todo andarilho é um ser humano. Só que, lamentavelmente, há sempre alguém que se esquece desta verdade e se omite, esquecendo-se do adágio popular que diz: "Pimenta nos olhos nos outros é refresco".

                                 Joboscan de Araújo
JOBOSCAN
Enviado por JOBOSCAN em 18/07/2013
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

ESTELIONATO MACABRO

ESTELIONATO MACABRO

              Espera-se que este tipo de estelionato que passo a narrar não se propale. Afinal, este tipo de má conduta é o cúmulo da falta de caráter e hombridade. Pois "matar" pessoas populares e inocentes, simplesmente, com o objetivo de ludibriar os outros é algo nefasto e horripilante. Como assim? Perguntará você que começou a ler esta crônica neste momento. É o seguinte:
              Alguém sem caráter, ou seja, totalmente cara de pau sai pelas ruas de um determinado bairro, abordando seja quem for, entrando nos bares, restaurantes, lanchonetes, padarias e supermercados e com a maior petulância faz a fatídica pergunta, cuja resposta ele já sabe de cor: "Você conhece fulano? Só que esse fulano que ele vai escolhendo aleatoriamente é sempre uma pessoa muito popular e por conseguinte, bastante conhecida naquele respectivo bairro onde ele está tentando passar o golpe da "ajuda para o enterro". Então, é óbvio que a resposta de uma ou outra pessoa é sempre positiva. Sim, conheço. Mas e daí? Então, como ele passa a agir? Jogada a isca, o peixe mordeu, agora é só puxar. Então, ele primeira enaltece com voz embargada, chorosa as qualidade de tal pessoa e pra encurtar a lenga-lenga, solta a mentira fatal:
               -Pois é, fulano de tal morreu ontem à noite e o enterro vai ser hoje, por isso estou arrecadando alguns trocados para pagar pelo menos a taxa mínima que a Prefeitura cobra para as despesas. Pois tal pessoa não tinha parentes, morava sozinho, praticamente e é muito triste deixa o pobre ser enterrado como indigente, sabendo que ele era muito conhecido aqui do nosso bairro, não é verdade?
               Então como existe ainda neste mundo muito ser humano que ainda acredita nas outras pessoas e depois desta abordagem macabra, quando o assunto é a "morte" de uma pessoa muito conhecida, dificilmente pensa duas vezes. Simplesmente, mete a mão no bolso, abre a carteira e dá logo alguns trocados e não quer mais saber de nenhum detalhe. Apenas acha que fez uma caridade, um favor etc. Lego engano. Pois o tal falsário, logo que arrecada uma quantia razoável, a primeira coisa que faz é sumir, escafeder-se. E quando aquela pessoa bastante conhecida que foi "morta" por tal falsário aparecer, evidentemente, alguém comentará pra ela tomar cuidado, pois havia alguém tentando matá-la. Aliás e até já conseguiu, pois estava arrecadando dinheiro para o seu enterro.
               Infelizmente, há gente pra tudo.
                                   Joboscan
JOBOSCAN
Env

sábado, 18 de janeiro de 2014

ADMOESTAÇÃO (QUASE) INÚTIL

                             Quem pega condução diariamente, seja ela qual for, sempre se depara com pessoas de todos os tipos, quero dizer, simpáticas, carrancudas, tristes, alegres, bem ou mal-educadas e também com situações constrangedoras, discussões e até brigas. É muito raro não acontecer isto durante uma viagem de ônibus, metrô, trem ou lotação. É verdade que nenhum passageiro gosta de situações assim. Só que, dependendo do caso, não se tem como evitar.
                             Por falar neste assunto, a cena que presenciei há poucos dias, a princípio pensei que não fosse dar em nada. Mas me enganei. Pois tal qual um pequeno riacho que percorre seu caminho solitário e depois se encontra com outro e juntos vão se transformar num caudaloso rio, assim também foi aquela pequena admoestação que uma passageira fez, ao pedir, educadamente a um rapaz que parasse de bolinar uma adolescente que estava em pé bem ao seu lado. No início, o aproveitador fingiu-se de surdo. Não deu bolas para o que aquela indireta daquela senhora. E como a jovem também não falava nada e não se demonstrava importunada com o que aquele rapaz estava fazendo ou pretendendo algo mais, também ignorou totalmente as palavras daquela passageira. Fingiu também que nada daquilo fosse com relação à sua pessoa. Foi então que, ao tentar mais uma vez advertir à jovem do perigo que estava lhe rondando com aquela apalpação e encosto propositais, foi mais direta e incisiva:
                           -A gente tenta ajudar as pessoas mais jovens, mas pelo visto não adianta nada mesmo. Estou percebendo claramente que este elemento está tentando abusar de você, garota, mas parece até que você está até gostando. É por estas e outras que depois algumas mães chegam lá na Vara da Infância e Juventude chorando e se lamentando: "Um tarado abusou da minha filhinha inocente e virgem. E agora?"
                            Neste momento o rapaz se tocou e arrumou um subterfúgio, alegando que a mochila de outro passageiro o estava forçando a encostar daquela maneira naquela garota. Mas não colou. Pois logo foi desmascarado quando a mulher se levantou e percebeu que ali não havia ninguém com mochila. Sendo assim, rapidamente, tentou pagou a passagem e desceu logo, antes que acontecesse algo pior para ele.
                          Mas o pior deste caso ainda estava por vir. Tão logo o tal aproveitador desceu, a celeuma recomeçou entre a jovem e aquela senhora que estava lhe tentando ajudar. E a discussão ficou acalorada logo após a senhora ter se expressado assim:
                           -Minha filha, eu apenas estava tentando lhe defender daquele pedófilo...pois eu quero o seu bem!...
                           -Olha aqui, em primeiro lugar não sou sua filha e em segundo, não quero que ninguém me defenda ou deseja o meu bem, coisa nenhuma. Vai cuidar da sua vida que é melhor. Vê se me erra, dona!"
                           Percebendo que seria inútil continuar com qualquer conselho, simplesmente aquela passageira finalizou:
                          -Está bem. Desculpe-me se eu tentei ajudá-la, mas não fui entendida!
                           E assim aquela celeuma foi encerrada, deixando todos os outros passageiro atônitos com a reação daquela adolescente rebelde.

                                                                 Joboscan

sábado, 4 de janeiro de 2014

EXPOSTO AO PERIGO - II -

                              Da firma onde aquele rapaz trabalhava para a estação de trem é um caminho bastante temido e por isso evitado, principalmente à noite, devido a onda de assaltos ocorridos neste trecho. Só que certa ocasião, ele precisou ficar até mais tarde trabalhando para terminar um serviço inadiável e por este motivo perdeu o horário do ônibus da firma que levaria os funcionários até aos seus respectivos destinos.  Sendo assim, após as 21 horas aquele funcionário resolveu ir à pé, mesmo ciente do perigo que na certa enfrentaria. Faltando apenas cinco metros para chegar à passarela, onde o perigo seria bem menor, eis que avistou quatro elementos, dois de cada lado, bem no começo da escada. Pensou rápido: "Se eu voltar daqui e tentar correr, no mínimo será bem pior, pois ele perceberão que estou com medo e carregando comigo algum objeto de valor. Vou seguir em frente e seja o que Deus quiser!".Quando se aproximou do grupo chegou a murmurar um pedido de licença e passou entre os quatro. Não ouviu nada, nenhum comentário, ainda bem. E continuou subindo os degraus sem olhar para trás. Quando atingiu o topo da escadaria e quando já estava bem no centro da passarela ele criou coragem e olhou, disfarçadamente para trás. Oque ele viu? Simplesmente os quatro rapazes andando normalmente.
                              Das duas, uma: ou eles estavam naquele lugar bastante suspeito queimando uma maconha ou então Deus protegeu aquele rapaz, fazendo com ele passasse incólume entre aqueles quatro elementos. Mas que ele passou esteve exposto ao perigo isto ninguém tem a menor dúvida. É como se costuma dizer: quando tem de acontecer alguma coisa não importa o local, a hora ou as pessoas que nos deparamos. Afinal, quem está com Deus está com tudo. Amém.


                                                                           Joboscan

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

AS FESTIVIDADES NATALINAS!

                               Sai ano entra ano e quando chega esta data - 25 de Dezembro - a maioria das pessoas enche a boca para proferir a famigerada frase: "FELIZ NATAL!". E entre comes e bebes, peru e panetone, champanhe e diversas guloseimas a ceia se desenvolve num clima familiar e corriqueiro, quando as trocas de presentes são efetuadas com surpresas agradáveis ou não. O que se tem a lamentar neste dia em que a Igreja Católica Apostólica Romana comemora o nascimento de Jesus Cristo, nosso Salvador, é que Ele é pouco lembrado ou homenageado, ficando esquecido por esta onda de iguarias e bebidas. Sabemos que o sentido profundo do Natal é renascimento, meditação e renovação de propósitos e atitudes mais dignas e humanas, onde a presença do próximo deve ser o foco essencial nas nossas vidas. Só que o egoísmo profundo que impera em todas as camadas da sociedade ignora este propósito de vida, deixando cada um nas suas respectivas redomas e círculos sociais. E por mais que se propale algo diferente nesta festa de confraternização, poucas pessoas tomam consciência do autêntico sentido do Natal aqui e em todas as partes do mundo onde ele for comemorado. O consumismo está em todas as facetas da sociedade e isto ninguém conseguirá mudar, por mais que a Igreja Católica tente chamar a atenção para o sentido santo e mais genuíno desta data magnífica, mas tão deturpada.

                                                   Joboscan de Araújo

sábado, 21 de dezembro de 2013

A FUNÇÃO DO BEIJO NO ROMANCE

                      Há atividades que são comuns à maioria dos humanos e das quais gostamos imensamente, sem pensar muito a respeito. Mas, de vez em quando, os pesquisadores sentem a necessidade de tentar entendê-las. Recentemente, psicólogos experimentais da Universidade de Oxford, no Reino Unido, exploraram a função do beijo nos relacionamentos românticos. Eles acharam complicado.
                     Após realizarem uma pesquisa on-line com 308 homens e 594 mulheres com idades entre 18 e 63 anos, a maioria da América do Norte e Europa,os pesquisadores concluíram que o beijo pode ajudar as pessoas a avaliar potenciais parceiros e depois a manter esses relacionamentos.
                    "A alteração de propósito do comportamento é muito eficiente", disse Rafael Wlodarski, coordenador do estudo.
                    Mas outra hipótese sobre o beijo - que sua função seria elevar a excitação sexual e preparar um casal para o coito - não se sustentou.
                    Os participantes da pesquisa foram questionados sobre as atitudes em relação ao beijo durante diferentes fases dos relacionamentos românticos. Também foram questionados sobre seu histórico sexual - por exemplo, se eles eram mais inclinados a encontros casuais ou a relações prolongadas e comprometidas.
                    Pesquisas anteriores haviam sugerido que, num novo relacionamento, o beijo romântico serve para empurrar dois relativos estranhos para o espaço um do outro. Poderia ser uma espécie de entrevistas primária: será que essa pessoa pode ser um(a) parceiro (a)?
                   Os resultados de Wlodarski sugerem uma dinâmica mais nuançada. Os participantes geralmente apontavam o beijo em relações casuais como sendo mais importante antes do sexo, menos importante durante o sexo, ainda menos importante depois do sexo e minimamente importante "em outros momentos".
                   Pesquisas anteriores já demonstraram que três tipos de pessoas tendem a ser mais exigentes na seleção de parceiros geneticamente aptos e compatíveis: as mulheres, os que se consideram altamente atraentes e os que preferem o sexo casual. Nesse estudo, essas pessoas disseram que o beijo era importante principalmente no começo de um relacionamento. Isso pode ocorrer porque, para esses indivíduos, o beijo acaba sendo uma forma rápida e fácil de testar a adequação de um parceiro. Depois desse primeiro beijo, esses tipos têm muito mais propensão do que outros participantes a mudar de ideia sobre um parceiro em potencial, segundo os pesquisadores. Se o beijo dele não é bom, esqueça-o.
                   Mas outras pessoas poderiam usar critérios diferentes para avaliar parceiros: os homens, os que se julgam sexualmente menos atraentes e pessoas buscando compromisso. Na busca mais ampla por um parceiro, esses indivíduos procuram pessoas que pareçam ter inclinação e recursos para um relacionamento longo. E para elas, conforme mostrou o estudo, o beijo tem uma prioridade menor no começo do namoro.
                  Particularmente no caso de homens e mulheres que buscam relacionamento de longo prazo, o beijo serve a outros propósitos, como à reafirmação do relacionamento. Eles usam seu músculo orbicular da boca para mediar, aperfeiçoar e sustentar seus vínculos.
                  Essas pessoas consideram o beijo como sendo igualmente importante antes do sexo e "em outros momentos não relacionados ao sexo". Para esses participantes, o beijo menos importante era o que ocorria durante o sexo.

                                                       JAN HOFFMAN

                                                   (Publicado no New York Times e. simultaneamente, no jornal Folha de São Paulo. Em 12/11/2013)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

EXPOSTO AO PERIGO

                        Bairro de São Paulo muito temido pelo alto índice de assalto e assassinato. O rapaz em questão, que mora do outro lado da cidade, estava na casa da namorada num domingo à noite. Estava tudo tranquilo, tudo bem. Até que, quando menos esperavam, eis que um temporal caiu sobre aquele bairro, de maneira tal que ninguém conseguia sair de casa. O tempo foi passando e a mãe da jovem já estava preocupada com o namorado da sua filha. Como ele iria embora? Estava ficando muito tarde. E na sua casa não tinha condições de abrigá-lo naquela noite chuvosa.
                   Tão logo a chuva diminuiu, rapidamente, ele se despediu e foi pegar o ônibus. No ponto não havia ninguém. Enquanto ali estava aguardando o coletivo que demorava, eis que ele avistou vindo ao longe, dois rapazes. Imediatamente pensou com os seus botões: "Seja o que Deus quiser. Se forem ladrões só espero que não apelem para a violência física". E à proporção que eles se aproximavam o seu coração batia forte e descompassado. Afinal, qual o ser humano que não ficaria com medo num momento daquele?
                   Mas Deus protege sempre as pessoas que Nele confia. E por incrível que pareça, aqueles dois rapazes, mesmo com uma aparência bem estranha, simplesmente passaram ao lado do jovem que esperava o ônibus sozinho naquele ponto, tarde da noite, e seguiram o seu caminho como se não tivessem visto ninguém ali. Ainda bem. Agora fica a indagação: Quem seria capaz de afirmar que aqueles rapazes seriam ladrões? Ninguém em sã consciência. Agora, que aquele rapaz tinha toda a razão de ficar apreensivo e com medo dos mesmos, sem dúvida, isto ninguém pode negar. Ele teve sorte sim, pois aqueles rapazes deveriam ser gente do bem, mas que ficou exposto ao perigo por alguns momentos, isto ninguém tem a menor dúvida.

                                                        Joboscan de Araújo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

CONSELHO OU AMEAÇA PATERNA?

                           Há poucos dias, durante um rápido percurso de ônibus no bairro onde moro, presenciei uma cena deprimente, triste e lamentável. Um homem, que poderia ser pai, tio ou padrasto já adentrou naquele coletivo chamando a atenção de um garoto de, aproximadamente, oito anos, de maneira veemente e acintosa, que mais parecia uma ameaça brutal à integridade física do assustado menino.
                         Ora, se a intenção dele era advertir, orientar o garoto, pois tudo indica que o mesmo deve ter feito alguma coisa errada, ele estava dando chance para ser denunciado como um algoz sem precedentes, correndo o risco de sofrer consequências desagradáveis como, por exemplo, até perder a guarda do filho ou sobrinho.
                         A cena ocorreu durante todo o percurso. Desde o momento em que entraram naquele ônibus até o momento em que desceram. E era só ele que falava em voz alta e sempre ameaçando nestes termos:
                       -"Se eu descobrir que você está fazendo "coisa errada" eu sou capaz de cortar suas mãos com um facão! Está ouvindo?"
                        Enquanto isto, o garoto muito assustado e já com lágrimas no rosto tentava balbuciar alguma palavra mas ele sempre o interrompia com total ignorância:
                        -"Cala a boca! Quem fala aqui sou eu!".
                         Mesmo assim, sempre que tentava de alguma maneira se defender recebia um coice:
                         -"Tá vendo? Continua a mentir, mentir, mentir!"
                          Finalmente o ônibus, após cinco minutos, parou num determinado ponto e eles desceram. E quanto o resultado daquelas ameaças, só mesmo Deus para abrandar o coração daquele homem (pai, padrasto, tio etc.) e ao mesmo tempo, ter piedade daquele menino de olhar lacrimejante e assustado, cujos olhos esbulhados de pavor já previam que quando chegasse ao seu destino, o seu destino não seria nada bom.


                                                           Joboscan de Araújo

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

MENTIRAS INOFENSIVAS & PARADOXOS CORRIQUEIROS

            "VOLTE SEMPRE"

                                   É muito comum ver observar algumas plaquinhas nas paredes ou portas de pontos comerciais com a conhecida e famigerada frase: "VOLTE SEMPRE". Não resta a menor dúvida, trata-se de uma maneira gentil do comerciante convidar indiretamente aos fregueses que regressem ali o mais breve possível. Muitas realmente voltam sempre àquele salão de cabeleireiro, mercado, banca de jornal etc. Isto acontece quando são bem atendidas e outras, talvez até por falta mesmo de outra opção. Só que, não querendo ser pessimista, esta mesma frase perderá o seu verdadeiro sentido e objetivo, infelizmente, no dia em que um destes pontos comerciais for assaltado, o que ninguém, infelizmente, está isento.
                                   Por outro lado, há outra ocasião em que dizer: "VOLTE SEMPRE" não faz também nenhum sentido e se alguém a proferir, pode ser até uma maneira irônica e piada de mau gosto: estou me referindo quando uma pessoa recebe alta de um hospital ou quando após cumprir uma pena numa prisão, deixa estes respectivos lugares, ou seja, hospital e penitenciária. Será o maior contrassenso ou ironia, portanto alguém falar desta maneira esta frase, em ocasiões de alívio como estas.

                                    Joboscan de Araújo

terça-feira, 19 de novembro de 2013

COMENTÁRIO SOBRE AV.. CELSO GARCIA

                             Nunca tive a pretensão de ser um técnico ou crítico urbanístico, mas há muito tempo que pretendo escrever um comentário, por sinal, não muito elogiável sobre uma avenida situada na zona leste de São Paulo. Estou me referindo à Avenida. Celso Garcia. Pois, na minha modesta opinião, esta extensa via pública parece que parou no tempo. E que tempo! De ambos os lados, prédios e casarões vetustos e mal conservados a deixam feia e com um ar fantasmagórico. Raríssimos são os pontos comerciais novos e bonitos. É lamentável que numa megalópole como S. Paulo exista uma avenida deste porte tão ridículo.
                            Agora imagina a péssima impressão dos turistas e visitantes que virão assistir a abertura da Copa do Mundo no estádio que está sendo construído em Itaquera, uma vez que a Celso Garcia é um canal de ligação da zona norte, oeste e sul à zona leste. E não adianta a prefeitura tentar mudar o itinerário para evitar algum constrangimento e muito menos mudar a fachada daqueles casarões mal assombrados e prédios caindo aos pedaços. Pois o tempo é curto e não vai adiantar nada. A vergonha será maior. É o mesmo que querer tapar o sol com uma peneira. A má conservação desta avenida perdurará por muito tempo e além disso, ela continuará saturada pela poluição dos milhares ônibus e caros que transitam diariamente por ela.
                            Sinceramente, não acredito nada em fantasmas, mas quando, infelizmente tenho que passar por esta avenida chego a sentir algum arrepios.

                                                                      Joboscan de Araújo





segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PASSE ADIANTE

                  Lá estava eu com a minha família, de férias, num acampamento isolado, com o carro enguiçado. Isso aconteceu há 10 anos, mas lembro-me disso como se fosse ontem. Tentei dar a partida no carro. Nada. Caminhei para fora do acampamento e felizmente meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho que passava por ali. Minha mulher e eu concluímos que éramos vítimas de uma bateria descarregada. Sem alternativa, decidi voltar a pé até uma vila próxima, a alguns quilômetros de distância. Duas horas e um tornozelo torcido, cheguei finalmente a um posto de gasolina. Ao me aproximar do local, dei-me conta de que era domingo de manhã. O posto estava fechado, mas havia um telefone público e uma lista telefônica caindo aos pedaços. Telefonei para a companhia de auto-socorro localizada na cidade vizinha, a cerca de 30 km de distância. Zé atendeu o telefone e me ouviu enquanto eu explicava os meus apuros. Não tem problema - ele disse. Normalmente estou fechado aos domingos, mas posso chegar aí em mais ou menos meia hora. Fiquei aliviado que estivesse vindo, mas ao mesmo tempo consciente das implicações financeiras que essa oferta de ajuda significaria. Ele chegou em seu reluzente caminhão-guincho e nos dirigimos para a área do acampamento. Quando saí do caminhão, me virei e observei com espanto o descer com aparelhos na perna e a ajuda de muletas. Ele era paraplégico!
                   Enquanto ele se movimentava, comecei novamente minha ginástica mental em calcular o preço da sua boa vontade.
                  -É uma bateria descarregada - disse o Zé -  com uma pequena carga elétrica e logo vocês poderão ir embora sossegados.
                   Realmente o Zé reativou a bateria e enquanto ela recarregava, distraiu meu filho pequeno com truques de mágica. Ele até mesmo tirou uma moeda da orelha e deu para o meu filho. Enquanto ele colocava os cabos de volta no caminhão, perguntei quanto lhe devia.
                 -Oh! nada - respondeu, para minha surpresa.
                 -Tenho que lhe pagar alguma coisa - respondi.
                 -Não, ele reiterou - Há muitos anos atrás, alguém me ajudou a sair de uma situação pior do que esta, quando perdi as minhas pernas, e o sujeito me disse apenas para "PASSAR ISSO ADIANTE!". Portanto, você não me deve nada. Apenas lembre-se: quando tiver uma chance, PASSE ISSO ADIANTE!"
                    Cerca de dez anos após, no meu movimentado consultório onde frequentemente treino estudantes de medicina, Maria, uma aluna do segundo ano de uma faculdade de outra cidade veio passar um mês no meu consultório para que pudesse ficar com a mãe, que morava na região. Acabamos de atender a uma paciente cuja vida fora destruída pelas drogas e pelo abuso do álcool e de repente, noto que Maria tem seu olhos cheios de lágrimas.
                  -Você não se sente bem por ver este tipo de paciente? - Perguntei.
                  -Não - respondeu soluçando a Maria - é porque minha mãe poderia ser esta paciente. Ela tem o mesmo problema. Durante o horário de almoço conversamos sobre a trágica história da ma~e alcoólatra de Maria. Chorosa e angustiada, ela abriu o coração ao contar os anos de ressentimento, vergonha e hostilidade que haviam marcado a existência de sua família.
                    Dei-lhe a esperança de colocar a mãe sob tratamento. Depois de ser bastante encorajada por um conselheiro treinado que indiquei e por outros membros da família, a mãe de Maria consentiu em se submeter a um tratamento. Ficou internada no hospital especializado por vairas semanas e, quando saiu, era uma outra pessoa. A família de Maria quase tinha sido destruída e pela primeira vez puderam sentir um pouco de esperança.
                   -Como posso lhe agradecer e pagar? - Perguntou Maria.
                 Quando me lembrei daquele acampamento distante e do bom samaritano paraplégico, eu sou que só poderia lhe dar uma resposta:
                  -Apenas PASSE ISSO ADIANTE!

                MORAL DA HISTÓRIA:

                     SOMOS ANJOS DE UMA ASA SÓ, PRECISAMOS NOS ABRAÇAR PARA ALÇAR VOO!

                                                 Domínio Público