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terça-feira, 15 de maio de 2012

ANEMIA CRÕNICA - EPÍLOGO

                         Muitas pessoas, esquecendo-se do dia de amanhã, costumam dizer que têm pavor e horror a hospitais, mesmo nunca tendo entrado num deles. Pura contradição. Ora, como se pode ter ojeriza a um ambiente que nem se conhece? Portanto, pode ser bobagem, exagero, imaturidade ou um pouco de tudo isso emais alguma coisa.
                         Quando passamos nas ruas próximas a um hospital, seja ele qual for, particular ou  público, percebemos facilmente placas advertindo aos motoristas quanto a buzina barulhenta, pois o silêncio é sempre fundamental no intetior de um nosocômio qualquer. Tanto para a concentração dos médicos, enfermeiros quanto para os pacientes que precisam de repouso constante.
                       Já no Pronto Socorro,  principalmente quando chega alguém gritando de dor, com razão é que o silêncio é quebrado. Mas logo que é atendido e medicado o silêncio volta a reinar num ambiente assim. Além do silêncio, outra característica inerente a um hospital é o cheiro intermitente de remédios no ar, nos  corredores e enfermarias em geral. Porém quando ficam doentes, talvez, muitas pessoas nem percbem tal cheiro dantes repugnável.
                        Parodiando ao egrégio escritor russo Tolstói, no primeiro parágrafo do seu famoso romance Ana Karenina, quando diz "Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira", posso dizer o seguinte; Todos os hospitais particulares se parecem quanto o atendimento; os da rede pública atendem cada um à sua maneira, muitas vezes, deficiente
                      Com relação a esse trabalho que escrevi na primeira pessoa, relatando uma experiência pessoal nada deleitável, fi-lo em tom crítico, mas sem nenhuma intenção de querer "cuspir no prato em que comi", principalmente quando narro alguns detalhes até certo ponto dispensáveis, quando relatei as internações nos dosi hospitais: Vasco da Gama e Nipo-Brasileiro, respectivamente, durante mais de 26 dias alternados, tratando de uma ANEMIA CRÔNICA, a qual estava tão avançada que, quando a primeira médica que me encaminhou para a primeira internação, ao ver o resultado do hemograma, achou incrivel como eu estivesse ali na sua presença, de tão debilitado como atestava o resultado do exame de sangue. Inclusive, chegou até me chamar de predestinado, homem de sorte e mais alguma coisa.
                       Então foi após esta súbita internação e, consequentemente as seguintes que a rotina da minha vida mudou radicalmente. Até um pensamento que sempre eu defindia e propalava quando o assunto era doença, hospital etc eu tive mudar um pouco o modo de encará-lo. O mesmo diz assim: " AS ÁRVORES SÃO COMO AS PESSOAS: NASCEM, CRESCEM...MAS COMO NÃO TÊM PÉS PARA IR AO MÉDICO, VIVEM MAIS". Passei a acreditar que num hospital, apesar dos pesares, o que acontece é que aqui a doença é PROSCRITA e a saúde PRESCRITA. Ações antagônicas, mas que estão sempre em todo ambiente hospitalar. E que ninugém pense em separá-las.


                                             JOÃO BOSCO DE ANDRADE ARAÚJO

                                                  São Paulo, Maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ANEMIA CRÔNICA

                                               RETORNO PARA AVALIAÇÃO MÉDICA


                           Conforme já estava previsto, após o término do acompanhamento médico através do serviço HOME CARE, eu precisaria marcar um retorno para uma avaliação do médico que acompanhou toda a minha convalescença enquanto eu estive internado no Hospital Nipo-Brasileiro.
                           Então após um mês, aproximadamente, eu e minha esposa regressamos na data agendada. Eu,particularmente, achei tudo muito diferente, pelo menos no local onde estive aguardando para passar no médico. Talvez, quem sabe, fosse o meu estado de saúde que estivesse bem melhor, vendo as coisas com outros olhos, como se costuma dizer. Pois, segundo a minha esposa, tudo estava praticamente igual como no dia em que eu fui internado. O problema é que naquele fatídico dia, eu não tinha condições nenhuma de observar e ver nada. Afinal, estava quase desmaiado de tanta fraqueza por causa da anemia crônica .
                          A consulta transcorreu num clima bastante tranquilo, pois o médico logo que me viu, já demonstrou muita alegria ao perceber que a minha fisionomia estivesse bem melhor, bem diferente, pois estava bem saudável, graças a Deus. Então o médico examinou minuciosamente toda a papelada assinada pelo médico e enfermeiro do HOME CARE e deu a sua opinião final, deixando bem claro a sua grande satisfação pela minha recuperação, inclusive, nesta ocasião, suspendeu alguns medicamentos que eu estava tomando, dando a entender que a minha saúde já estava quase 100%. Bastava tomar os cuidados necessários, quanto a alimentação e horas de sono. Acentuando que não exagerasse em nada, que procurasse sempre usar o meio termo.
                        Depois que ele me deu o laudo médico, no tempo adequado apresentei-me ao Perito do INSS e logo depois fui liberado para trabalhar, após receber corretamente o dinheiro corresponde aos dias em que estive afastado da empresa onde eu trabalhava. E no dia certo, reapresentei-me a ao meu serviço e não demorou muito resolvi fazer um acordo, solicitando o meu desligamento. Afinal, a minha saúde era muito mais importante.


                                        Próxima postagem: Epílogo
                        

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O RETORNO AO LAR (Segunda alta hospitalar)

                   Desta vez parece que tudo foi diferente. E foi num ambiente assim que cheguei ao meio dia e meia. Alguns familiares e vizinhos estavam na frente do prédio, pois os mesmos já sabiam que eu estava regressando de uma internação onde passei por momentos delicados. Uma grande emoção invadiu o meu âmago que, inclusive tive que me cotrolar  para não chorar copiosamente, pois sou muito sensível. Mesmo assim, algumas lágrimas cáidas e disfarçadas rolaram pelo meu rosto. Fazia um sábado muito bonito e ensolarado. E eu estava regressando para a minha família, meus livros, amigos e para a vida, principalmente. Invegavelmente, estava bem mais disposta do que a primeira vez quando saí do outro hospital.
                  Após duas horas que eu havia chegado, só foi o tempo suficiente para tomar um bom banho e fazer algumas ligações, a enfermeira contratada chegou para checar os remédios e os aparelhos que ela iria usar durante o meu tratamento domiciliar, conhecido como HOME CARE. Então nesta ocasião apalvravamos o horário ideal para as medicações, que seriam administradas durante três vezes ao dia: 800 da manhã, 15  e 20 horas. Ou seja, nesses respectivos horários ela iria simplesmente fazer o que certamente seria feito no Hospital, ou seja, mediar a pressão, temperatura, aplicar injeção e mais algum medicamento, conforme a prescrição médica. E era tudo antoado minuciosamente. E assim aconteceu durante uma semana. E neste ínterim ainda recebi a visita de um médico e uma nutricionista em dias alternados, sem falar numa visita surpresa de um enfermeiro responsável pelos serviço do HOME CARE que veio avaliar como estava tudo estava sendo feito. E pelo visto, saiu contente. Nada foi constatado de errado. Para nós, isto foi muito gratificante.
                  Neste meio termo, como não poderia, com este entre e sai de pessoas vestidas de branco no meu apartamento, os vizinhos cresceram os olhos e as fofocas não demoraram a surgir. Por exemplo, não entendiam como um paciente, neste caso, eu, recebe alta de um hospital e continua recbendo a visita de enfermeira três vezes ao dia e até de medico e nutricionista? Eles jamais iriam entender o porquê deste bonito trabalho do HOME CARE, que tanto facilita a recuperação de um paciente, ao mesmo tempo que dá lucro ao Convênio Mèdico, pois com este tipo de serviço (atendimento domiciliar) gastaria bem menos do que pagando uma diária num hospital como aquele em que eu estava internado, ou seja, o NIPO-BRASILEIRO, um protótipo de atendimento hospitalar.


                                     Próxima postagem: Retorno médico para avaliação final.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

OUTRA MEDICAÇÃO


Após uma semana na enfermaria, sentindo-me bem melhor, certo dia uma médica, que fazia parte da equipe que cuidava do meu caso, explicou-me, na presença da minha esposa, que a partir daquela data, eu não precisaria mais tomar soro e muito menos transfusão de sangue. Pelo resultado dos útimos hemogramas, a anemia estava bem controlada. A partir daquela data, eu iria tomar algumas vitaminas em cápsulas, além de um outro medicamento líquido, parecido com suco de laranja, eu disse parecido, pois o sabor era simplesmente intragável, horrível. Ao mesmo, era adicionado outro remédio em pó, que o deixava mais pastoso e difícil de engulir. Mas tinha que tomá-lo e o que era pior: duas vezes ao dia. Só não reclamei, o que era o meu costume, com a enfermeira que m'o trouxe, para não ser indelicado e mesmo a mesma, pensando bem, não tinha culpa nenhum daquele remédio horrível. Mas como a própria tentava contemporizar, dizia: "É para o seu próprio bem, seu João...vamos, faça cara feia, mas beba-o".
Em compensação, o fisioterapeuta brincalhão, quando se encontrava na enfermaria dando assistência a outro paciente, ao perceber aquela minha ojeriza ao "suco" intragável, não perdia a oportunidade de fazer uma brincadeira qualquer e dizia:
-"Olha aí, seu João, chegou o seu suco que tanto o senhor pediu...Vamos lá, tome-o de uma vez como se fosse uma cervejinha bem gelada, enquanto assiste ao jogo do seu Santos!"
Brincadeiras à parte, como não tinha mesmo outra escapatória, mandava ver e tomava aquele horrendo copo com o tal medicamento, cujo nome nunca quis saber. Apenas sabia que tudo aquilo era para o meu fortalecimento e recuperação da minha saúde fragilizada. Mas pensando bem, dificilmente há remédio delicioso...A não ser um xarope qualquer da vida, mas cujo efeito também faz jus ao seu nome ou apelido, sei lá.


Próxima Postagem: Alta antecipada, que bom!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

AUSÊNCIA DE EXAMES


Além da refeição aqui no Hospital Nipo-Brasileiro, por sinal, muito boa, outra grande diferença que constatei no setor médico, tanto UTI e enfermaria, foi a ausência de exames mais sofisticados e laboratoriais, com exceção de algum de sangue, de maneira aleatória. Transfusão de sangue, então, nem pensar. O soro também logo foi substituído, uma vez que a médica achou que os meus pés estivessem inchados devido a algum medicamento, que não chegou a falar qual era. Apenas substituía um por outro e assim por diante. Confesso que apesar de saber da utilidade desta medicação para a minha saúde, a suspensão da mesma foi um alívio imediato para mim. Explico: não que estivesse sentindo algum dor, desconforto, nada disto, mas enquanto estava tomando, a vontade de fazer xixi parece que aumentava. Então ficava mais difícil ir ao banheiro com aquele aparato. E a médica estava absolutamente correta quanto a sua previsão, pois os meus pés logo, logo voltaram ao normal.
Os dias passavam tranquilamente. Recebi até autorização para andar pelos corredores e adjacência do andar onde estava internado. Achei ótima esta ideia do fisioterapeuta. Procurei pô-la em prática logo no mesmo dia. Pois ficar só no interior daquela enfermaria, assistindo televisão ou lendo algo, já estava sendo estressante para mim. Portanto, de vez em quando, principalmente quando alguém vinha fazer limpeza ou trocar o lençol da cama, então eu aproveitava para fazer o meu curto passeio, sempre levando a minha revista de palavras cruzadas. Pois nunca gostei de perder tempo.


Próximas Postagem: Outros medicamentos

terça-feira, 13 de março de 2012

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

Dei entrada na enfermaria por volta das 17 horas. Eu já estava tão ligado a tudo que acontecia à minha volta que inclusive comentei, ao ver a televisão ligada num dos quartos enquanto passávamos, percebi logo que estava sendo transmitido o jogo do meu time de futebol preferido, o Santos Futebol Clube. Isto já foi motivo de alegria para os meus familiares. Por sinal, nesta ocasião, a minha esposa conseguiu, com muito esforço, uma permissão especial para que alguns parentes que vieram me visitar conseguissem entrar, simultaneamente no quarto, pois o horário de visita já tinha sido esgotado. Foi o que se costuma chamar de exceção. Nesta ocasião, por sinal, fiquei bastante emocionado.
Quanto ao colega de quarto era um japonês - Sr. Sakura - que estava acompanhado da esposa durante 24 horas. Pois o seu tratamento assim exigia. O seu estado de saúde era muito delicado. Sua aparência não era das melhores. Mas torci para que logo ele se restabelecesse. Conforme logo fiquei sabendo, aquele paciente fora vítima de um derrame cerebral que o deixara com aquele problema de coordenação motora, exigindo que uma pessoa fizesse praticamente tudo para ele.
Quanto a mim, nessa primeira noite na enfermaria no Hospital Nipo-Brasileiro, senti-me bem mais à vontade, principalmente ao usar o banheiro com muito cuidado. E a partir desta atitude, já comecei a desobedecer a ordem médica, que era para solicitar sempre a companhia de alguém da enfermagem ou mesmo parente. Senti vontade de rir quando logo após ir ao banheiro e me deitar uma enfermeira veio me perguntar se estava com vontade de ir ao banheiro. Acredite se quiser, mesmo já tendo ido, por um pouco eu aceitaria o seu convite, mas logo desisti quando pensei que iria entrar em contradição e cometer uma mentira o que ficaria feio para mim. Então só agradeci e principalmente quando ela falou: "Quando precisar é tocar a campainha, não importa a hora, viu?" E piscou um dos olhos para mim. O que pensei maliciosamente com os meus botões: "Não brinca comigo!" Mas, pensando bem, ela não estava brincado e sim trabalhando com dedicação e carinho para com os seus pacientes. E eu era um deles, evidentemente.

Próxima postagem: A rotina de uma enfermaria

quinta-feira, 8 de março de 2012

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

No domingo - 05 de abril de 2003 - despertei bem mais disposto. Só estava um pouco macambúzio quando me percebi que ainda estava preso a um leito de hospital, não imobilizado ou impossibilidato de andrar, graças a Deus. Mas neste dia, na hora da visita médica, recebi uma boa notícia. Ele já me adiantou que ia só esperar o resultado de mais alguns exames e conforme o resultado eu receberia alta da UTI, não para ir direto para minha residência, mas para ser transferido para um quarto de enfermaria e dar continuidade ao tratamento da anemia que, aos poucos, graças aos medicamentos, ia me deixando e restabelecendo a minha saúde, embora o meu corpo continuasse debilitado e "picado", diga-se de passagem.
Um pouco antes do horário da visita dos familiares, um enfermeiro se aproximou com algumas roupas do hospital e foi logo dizendo com um sorriso característico de boas notícias:
-"Vamos lá, seu João, tirar essa fralda ridícula de "criança grnde" e voltar a ser adulto!"
Isso era o prenúncio que minha alta da UTI estava confirmada. Quando logo em seguida uma médica da equipe que me atendia veio conversar comigo sobre a minha situação, fiquei muito atento e apreensivo suas recomendações. Tudo bem que ainda não estivesse liberado para a minha casa. Mas só em sair da CTI onde não tinha muita liberdade e estivesse 24 horas sob vigilância num bom sentido, já era uma grande vitória, um grande alívio e conforto para qualquer paciente numa situação igual a minha. A mesma médica aproveitou para dar algumas coordenadas sobre como eu seria medicado, tratado na enfermaria, prometendo me visitar sempre que possível. E assim foi feito. Admoestou também sobre como me comportar no novo setor,principalmente quando fosse utilizar o banheiro, pois seria necessário convocar a presença de alguma pessoa até segunda ordem. Pois com a minha saúde ainda bem fragilizada, nestes casos, sempre é melhor prevenir que remediar, aliás como tudo na vida.


Próxima postagem: Na Enfermaria e o companheiro de quarto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

MISTÉRIO NA UTI

O que ocorreu comigo na madrugada do segundo dia na UTI foi algo inexplicável, fora do comum, inusitado, atípico, difícil mesmo de ser esclarecido. Na minha opinião, não ouve alucinação, delírio da minha parte. Opinião esta contestada pela equipe médica. Tinha plena consciência como 2+2 são 4 que naquela fatídica madrugada eu não vi nenhum fantasma e muito menos tive algum pesadelo. Pareceu tudo muito nítido e consciente. O certo ou errado é que o ocorrido deu panos pra manga, ou seja, gerou muitos comentários. Causou até uma celeuma na UTI logo que o dia amanheceu, principalmente com o médico, chefe da equipe querendo saber realmente o que aconteceu e, principalmente, porque recusei uma coleta de sangue que era obrigatória para a análise do meu tratamento ali. Mas vamos aos fatos:
Madrugada de sábado. A hora não dava para precisar, pois o relógio digital que estava na parede me parecia com um defeito, pois ficava repetindo os mesmo números. Então vi uma funcionária se aproximando com uma seringa e como o local não estivesse bem iluminado, só percebi que se tratava da mesma funcionária da noite anterior, só que os cabelos da mesma estavam tão em desalinhos, estranhos, que cheguei a me assustar um pouco. Será que ela acabara de acordar? E logo que se aproximou do meu leito e anunciou que ia fazer mais uma coleta de sangue e diante daquela figura fantasmagórica, num ímpeto de rebeldia, não permiti que isto acontecesse e falei:
-Coletar sangue? De novo? É festa agora?
Percebei que ela não gostou nada daquilo e sem insistir deixou o ambiente, mas logo a seguir veio um enfermeiro, por sinal, também já o tinha visto antes e acendeu todas as lâmpadas e com muita educação também tentou colher o material:
-E aí, seu João, vamos lá. O médico precisa deste exame para dar continuidade ao seu tratamento. É para o seu bem!
-Sinto muito. Sei muito bem de tudo isto, mas não vou permitir fazer isto de novo. Estou me sentindo bem melhor.
-Seu João, isto quem pode dizer é só o médico. Mas, pensando bem, é bom saber que o senhor esteja melhorando mesmo. Dá para perceber pela sua rebeldia.
O dia já ia amanhecendo quando consegui cochilar um pouco, mas logo despertei com uma movimentação estranha na UTI. De repente, uma médica, de descendência oriental, nova e bastante educada, foi muito objetiva e incisiva. Chegou disposta a saber o motivo pelo o qual eu não deixei ninguém fazer a coleta de sangue naquela madrugada que passou. Infelizmente, como eu não dispusesse de nada concreto para comprovar aquela minha ojeriza com relação à enfermeira descabelada e com ar sonolento, ficou o dito pelo não dito.
Sem conseguir as conclusões que ela desejava, a médica deixou o quarto, mas antes falou:
-O senhor brevemente vai receber a visita do nosso chefe.
Realmente, às sete horas, o chefe da equipe, como já estava a par de tudo que ocorreu, simplesmente se aproximou e sem conversar muito, me examinou, coletando inclusive uma amostra de sangue no meu dedo e duas horas depois, os enfermeiros chegaram e me transferiram para um CTI (Centro de Tratamento Intensivo) que ficava no mesmo andar, ao lado da UTI. Aqui passei a ter outros cuidados, outra alimentação e não demorou muito fui logo transferido para uma enfermaria. Aqui sim, seria bem melhor. Não tão bem quanto na casa da gente. Mas pelo o menos, poderia andar e ir ao banheiro sozinho.
A minha esposa quando chegou para a visita, juntamente com uma vizinha, ficaram surpresas com a minha súbita recuperação. Ficaram também impressionadas com o que aconteceu naquela madrugada. Ninguém entendia nada e muito menos eu. Parece até que eu havia recebido a visita de um anjo, o qual veio me comunicar que Deus resolvera me dá mais uma chance para continuar vivendo. Algum projeto Ele tinha reservado para mim. E chorei de alegria por causa deste pequeno milagre. O médico que havia falado para a minha esposa, logo que eu dei entrada na UTI, que poderia se "preparar" para o pior, além de ser um grande pessimista, pelo visto, não entendia muito dos desígnios de Deus. Aliás, nós seres humanos jamais iremos entender. Mas só que nunca devemos duvidar daquilo que denominamos de FÉ!

Próxima postagem: Confirmação de Alta!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

A DIFERENÇA ENTRE UTI, CTI E ENFERMARIA

Nos grandes e renomados hospitais do Brasil e de outros países denomina-se de UTI a Unidade de Tratamento Intensivo. Segundo a própria definação da sigla, os parentes de um paciente que der entrada num lugar deste tem que pedir muito a Deus precisam rezar muito para que o mesmo saia com vida, pois quando uma equipe médica determina que alguém seja removido urgentemente a uma UTI é porque o caso é muito sério e delicado. E foi numa unidade assim que fui internado naquela fatídica circunstância da anemia crônica que me abateu.
Quase sempre ao lado de uma UTI, alguns hospitais montam uma grande sala, a qual é denominada CTI ou seja, Centro de Tratamento Intensivo. A atenção, o cuidado aos pacientes deste setor é similar ao que é dispensado numa UTI, com uma diferença que o paciente não fica isolado. Outros ficam nos seus seus leitos, recebendo seus respectivos tratamentos. Pois cada caso diferente de outro. Aqui também, num CTI, o tratamento, como o nome diz, é também intensivo. Quando algum paciente chega a ser transferido para um CTI é porque já passou por momentos bem mais delicados. Quer dizer, aqui o mesmo já pode até detectar uma pequena luz no fim do túnel.
Já quanto a uma enfermaria, a qual em alguns hospitais é diversificada entre quarto e apartamento, com a diferença de algumas regalias nas acomodações, os pacientes lotados aqui ficam sempre mais tranquilos, pois podem usar o banheiro na hora em que precisar, inclusive podem se locomover bem mais à vontade. Mas mesmo assim, o tratamento continua sendo administrado durante o tempo integral. Há sempre uma equipe de plantão para qualquer eventualidade ou emergência.
Em qualquer um destes setores, a alta sempre é analisada por uma equipe médica responsável e eficiente, evitando assim que algum paciente volte para a respectiva residência sem estar com a saúde totalmente recuperada. Quanto a isto, só há uma exceção quando surge algum caso de ALTA A PEDIDO, quando os parentes e o próprio paciente assinam um documento eximindo a equipe médica por sua saída antecipada. Mas isto é algo muito difícil de acontecer, mas acontece. Mas graças a Deus isto não foi o que aconteceu comigo. Fui liberado, dispensado no dia e hora determinados pela a equipe médica que sempre me assistiu.
Não resta dúvida, pode ser o melhor hospital do mundo, bem limpo e equipado, mas ninguém em sã consciência prefere um lucar assim ao seu lar, por mais humilde que seja. Ao receber alta sempre é um momento de grande satisfação. Neste momento, é só arrumar os apetrechos e como se diz; "puxar o carro!" E nada de até breve, por mais que se tenha sido bem atendido e até feito alguma amizade. Torce-se para não correr o risco de ouvir de algum funcionário brincalhão um tipo de gozação assim, no momento da despedida:

-"Volte sempre!"!


Próxima postagem: A primeira noite na UTI

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

TIRANDO DÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA

FIBRA


"Fibra ótica" ou "fibra óptica"? Um engenheiro da Embratel pediu-me que comentasse a questão. A expressão apareceu em texto publicitário de uma companhia telefônica. "Óptico" se refere ao olho, à visão. Mas existe a variante "ótico". Quando se procura "ótico, descobre-se que esse adjetivo tem duplo valor: pode ser variante de "optico", ou seja, pode referir-se à visão, ao olho, mas também pode ser relativo ao ouvido. Moral da história: "óptico" só se refere ao olho; "ótico"pode referir-se ao olho ou ao ouvido. Portanto a fibra pode ser óptica ou ótica. Mas é claro que quem quer evitar confusão prefere "fibra óptica".


FIGURA


Figuras de linguagem são recursos linguísticos usados para exprimir conteúdos emotivos ou estéticos. Essas figuras dividem-se, tradicionalmente, em três blocos: figuras de palavra, de construção e de pensamento. O anacoluto, por exemplo, é uma figura de construção, ou de sintaxe, porque implica mudança na estrutura regular da frase. Outras das várias figuras de sintaxe são a inversão e a elipse (omissão de um termo). A ironia é uma figura de pensamento, pois se cria na esfera que une a construção da frase ao que se quer dizer. Fazem parte desse grupo, entre outras, a antítese (oposição de plavras) e a hipérbole (expressão de exagero). A figura de linguagem básica é a metáfora. Com ela, altera-se a significação própria da palavra: "Ela é uma flor". Ela, no caso, tem as qualidade de uma flor, mas não é proprimamente uma flor.


FILOSOFIA


Por sua importância na história do pensamento humano, o filósofo grego Sócrates se tornou quase sinônimo de "filosofia". Por falar em filosofia, de onde vem essa palavra? Temos aí dois elementos gregos: "filo" e "sofia". O primeiro significa "amigo", "queredor", "aquele que gosta". Esse elemento está presente em muitas palavras, como "filatelia", "filantropia", "filarmônica" etc. O segundo elemento ("sofia") significa "saber", "ciência". O filósofo é aquele que ama o saber, o pensar; a filosofia, portanto, é o amor pelo saber, pelo pensar. É claro que o sentido da palavra "filosofia" não se limita mais ao étimo, à origem. Como você pode ver no verbete, expandiu-se para, por exemplo, "conjunto de doutrinas de uma escola ou época", "sabedoria; razão" etc.


FLAGRANTE


Palavras como "flagrante" e "fragrante" são consideradas parônimas. Ou seja, são os vocábulos que apresentam grande semelhança quanto à grafia e à pronúncia, mas têm sentidos totalmente diversos. veja outros exemplos: "comprimento e cumprimento", "descrição e discrição", "eminente e iminente", "vultoso e vultuoso" etc.


FLUENTE


Por que dizemos que alguém fala "fluentemente" determinada língua estrangeira? "Fluentemente" deriva de "fluente", que deriva de "fluir". "Fluir" significa "correr em estado líquido". Metaforicamente, as palavras fluem, ou seja, saem da boca como água de chuva. Isso, é claro, se a pessoa for fluente na tal língua.


Comentários do Professor Pasquale Cipro Neto


Dicionário da Língua Portuguesa

Gold Editora Ltda

sábado, 10 de dezembro de 2011

SEXTO COMPANHEIRO DE ENFERMARIA

Certa madrugada eu estava dormindo tranquilamente, quando acordei com um movimento de enfermeiros trazendo mais um paciente. Até nada demais. Só que a maneira como adentraram ali, acendendo as luzes e conversando alto, além dos gemidos do doente, percebi logo que não era um caso tão corriqueiro assim. Pois inclusive, percebi que havia alguns policiais acompanhando aquela internação. Como o espaço era pequeno, resolveram afastar o meu leito brutalmente como se não tivesse ninguém sobre o mesmo. Eu fingia dormir, propositadamente, só para saber até que ponto iria aquela celeuma. Após alguns minutos, antes de deixarem a enfermaria, ouvi um acompanhante falar assim:
-"Amanhã cedo estarei aqui para saber como você passou a noite!"
E o absurdo de todo aquela movimentação noturna é que não se importaram de colocar o meu leito no seu devido lugar. Logo que sairam, para eu não ter um sono "atravessado", literalmente, levantei-me e coloquei o meu leito no seu devido lugar. Agi com cautela, tentando não fazer nenhum barulho para não importunar o recém-chegado. O qual, sem querer, me deu foi um susto, pois quando olhei para o dito cujo, ele estava com os olhos arregalados, imóveis, fitando a minha pessoa. Pelo visto, ele não tinha a menor noção onde estava e muito menos o que havia acontecido. Apenas cumprimentei-o, levemente, perguntando inclusive,como ele estava. Tudo isto, por pura educaçaõ. Pois dava para perceber que ele não tinha condições de falar nada. Apenas gemia baixinho.
Logo ao amanhecer, com os raios do sol invadindo aquele quarto de hospital, logo começou a rotina dos enfermeiros e médicos, visitando os pacientes. E nesse entra e sai, percebi que havia um policial de plantão bem na porta que dava para o corredor. Pelo visto, ele passou a noite ali, de plantão. Pensei com os meus botões: "Só se este paciente for um colega da corporação ". Que nada! Mais tarde, quando ele foi transferido para outra enfermaria ou até um centro cirúrgico, não tive certeza, chegou ao meu conhecimento que passei a noite na companhia de um ladrão, assaltante muito perigoso, que inclusive no revide com a polícia chegara a matar um soldado.
Depois disto, colocando os pontos nos "is", foi que entendi o porquê da ausência de familiares na hora da visita e a presença ininterrupta de um policial na porta daquele quarto de hospital.
Os assassinos e ladrões também precisam de tratamento porque, como seres humanos, apesar de mau caráter, sentem dores. E muitas vezes, a sobrevivência deles pode levar a polícia a desvendar outros assassinatos e maracutaias de outros meliantes.

João Bosco de Andrade Araújo

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

Continuação sobre o relato do exame de Colonoscopia.

Finalmente, às 18 horas, aproximadamente, um enfermeiro veio me buscar para fazer o tal exame, do qual eu não tinha a menor ideia como seria. Já tinha feito vários, mas este,não. Só concordei em fazê-lo porque o Dr. Maurício insistiu, dizendo que era para o meu próprio bem.
Pela fisionomia do médico e do enfermeiro terceirizados que estavam ali para realizar o tal exame dava para perceber que algum desconforto eu iria passar. E não deu outra. O enfermeiro não me pediu, pelo o contrário, mandou que eu tirasse o pijama e a cueca, ou seja, ficasse deitado de bruços, totalmente pelado. Pra começo de assunto: achei muito esquisita aquela posição. Mas assim o fiz. Em seguida, o tal médico aplicou uma injeção, dizendo que era para eu dormir. Segundo o mesmo, tratava-se de uma anestesia. Mas nenhum, nem outro. Nem consegui dormir e o tal medicamento não fez nenhum efeito. À proporção que tentarm penetrar no meu ânus um aparelho, que não dava para saber como era, a dor foi enorme. Não resisti. Gritei e pedir para por um fim naquele tormento. Mesmo assim, tentaram prosseguir com o tal exame super dolorido. Só que não deixei. Falei inclusive que alguma coisa estava errado naquele procedimento.
Finalmente interromperam o tal exame contra a vontade dos mesmos, mas me alertaram que iria colocar no relatório que eu desobedeci as orientações deles e algo mais. Realmente, fui um pouco indelicado, para não dizer outra palavra, mas quem estava sentindo a dor não eram eles e sim, eu. Depois desta, jurei que jamais iria ser submetido a tal exame.

Próxima postagem: 5º Exame: MEDULA (MIOGRAMA)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

4º EXAME: COLONOSPIA


Certo dia, o Dr. Maurício, o nissei, veio fazer a visita de rotina e já falou do último exame realizado, comentando que ainda não encontrara nada que detectasse a causa daquela anemia crônica que se apossara de mim:
- Sr. João, hoje vou pedir outro exame mais delicado. Mas, não se preocupe. O mesmo será realizado também aqui no hospital Vasco da Gama, só que o material será colhido por um laboratório terceirizado. Para o senhor ter uma ideia, é o contrário da ENDOSCOPIA. Lembra como foi? Sentiu algum desconforto ou dor?
-Não, doutor. Pra ser sincero não senti nada. Inclusive até dormi um pouco, antes e depois do mesmo. Agora, só não estou entendendo direito quando o senhor disse "o contrário da endoscopia", pode explicar melhor?
-Tudo bem. Vou tentar ser mais claro, mais objetivo. Na endoscopia, o médico introduz um aparelho através da boca do paciente, que faz a inspeção do estômago, para ser mais preciso. Já na COLONOSCOPIA, o aparelho é introduzido através do ânus...
- No ânus, doutor? Espera aí...
-Calma, há uma preparação com anestesia, quando o paciente não sentirá muita dor, apenas um pequeno desconforto, pois a situação é um tanto constrangedora, similiar ao exame de próstata. Por sinal, o senhor também já o fez, lembra?
-É, lembro e não gostei. Só que eu lhe pergunto: este tal exame que o senhor está querendo, será que é assim tão imprescindível, importante?
- É, seu João. O senhor já o fez alguma vez?
-Nunca e pra ser sincero, não gostaria de fazê-lo assim sem mais nem menos.
- Mas eu vou precisar dele e será pra amanhã. Portanto, hoje à noite virá um enfermeiro para lhe aplicar o medicamento, para prepará-lo para o referido exame. Pode ficar tranquilo: é apenas uma espécie de limpeza estomacal absoluta. Sendo assim, logo que acordar, irá permanecer em absoluto jejum até a hora do exame. Importante: nem água poderá tomar!
-Que maravilha! E o senhor ainda diz: "pode ficar tranquilo...", "nem água poderá tomar", "vou passar por uma limpeza estomacal" etc etc?
-Não é nem necessário dizer que este sacrifício é para o seu bem!
-Para o meu bem? Já pensou se não o fosse?
O tempo foi passando. E eu já começava a ficar apreensivo quanto aquele fatídico exame que iria ser submetido. Na hora da janta, quando me trouxeram a famigerada e intragável sopa, quase ao mesmo tempo, uma enfermeira com aquele "gentiliza" que é peculiar a quase todas elas e diz:
-"Ah, seu João, já vai jantar! (e caprichou na palavra "jantar") Que pena, depois eu volto para lhe dar o medicamento para prepará-lo para o exame de amanhã, o senhor está sabendo?
-Infelizmente, sim!
E realmente, não demorou muito, ela voltou com um líquido estranho, pedindo que o bebesse sem intervalo. Assim o fiz. Só que não demorou nada, o tal remédio fez um efeito tão rápido que não deu tempo nem da sopa fazer algum efeito no organismo debilitado. E agora é que ficaria mais ainda. Pois ela e algo mais que estavam no meu estômago foram para o ralo. A partir daí, fiquei mais tempo sentado na privada do que deitado na cama. Aquilo não foi mais uma lavagem, foi pior que um tsunami que invadiu o meu corpo. Ao amanhecer, creio que não teria mais nada no meu estômago.
O médico me garantiu que o tal exame seria feito no período matutino. Errou longe! Só que fiquei sabendo, através da enfermeira, que o pessoal do laboratório que vinha colher o material estava tendo dificuldade no trânsito caótico. Mas, segundo foi informado, até às 14 horas chegaria ao hospital. Pensei com os meus botões: "Se até neste horário eu conseguir sobreviver!"
Chegou a hora da visita: 16 horas! E nada de ninguém vir me pegar para o tal exame. Quando a minha esposa chegou eu, que sou calmo por natureza, estava transtornado de fome e bastante nervoso e impaciente. Ela não aguentou aquela situação e vou procurar alguém que tomasse uma atitude para resolver aquela situação. Só falavam que ninguém ali no hospital poderia fazer nada, pois era problema no trânsito, como sempre.
Finalmente às 18 horas um enfermeiro adentrou na enfermaria e me levou para o local do exame de colonoscopia.

Próxima postagem: A HORA DO TERROR
COLONOSCPIA : Segunda parte!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

QUARTO COMPANHEIRO DE ENFERMARIA


Esse paciente foi internado por motivo de uma crise de hipertensão. Segundo ele, o médico que o atendeu no Pronto Socorro do seu bairro, falou que que ele estava com um sopro no coração e mais alguma coisa, deixando a sua família bastante preocupada. O mesmo foi internado numa sexta-feira à noite, passou todo o dia de sábado, praticamente sem tomar nenhum remédio e muito menos fazer qualquer tipo de exame. A única coisa mesmo que fizeram foi medir a pressão. E mesmo assim não lhe informaram nada se estava normal, baixa ou alta. Ele ficou sempre na dele, tranquilo como sempre. Além de tudo um bom papo. Conversador que só ele. Alimentava normalmente e com muito apetite e com muita razão, sempre reclamando da comida insossa daquele hospital,aliás, de todos eles a comida parece que é sempre igual. Como se estivesse na sua própria casa, de vez em quando ia ao banheiro e dava as suas tragadinhas. Era um tabagista inveterado. E com aquela história de sopro no coração e pressão alta, aí é que a sua vontade aumentou. Dizia ele: "Já que estou predestinado a morrer a qualquer momento, vou fazer o que me dá mais prazer: fumar meu cigarrinho e que o resto se dane!"
E numa dessas suas idas ao banheiro para alimentar o vício, eis que entrou uma enfermeira de olfato aguçado e exclamou:
-"Nossa, qlue cheiro forte de cigarro aqui, gente? Quem será que está fumando?
- Será que está vindo lá de fora? Pois a janela está aberta!...Tentei aliviar a situação.
- "Lá de fora é totalmente impossível. Pois estamos no décimo andar!...E olha que eu tenho mais de dez anos de enfermeira e nunca vi uma coisa assim. Paciente fumar dentro de um hospital! É o fim do mundo e do pulmão também!"
-Mas tudo tem a primeira vez, colega. Tô certo ou tô errado?
-Não sei Sinhozinho Malta, mas o médico de plantão deve já saber disso!
-Vai fofoqueira!... Murmurou o colega fumante.
E ficou nisto mesmo. Eu, sinceramente, pensei que ele fosse assumir, falar a verdade, mas ficou só nesta conversa fiada. Só que na hora em que outra enfermeira veio medir a pressão do dito cujo, sentiu o cheiro de cigarro. E foi então a gota d'água. A médica de plantão logo ficou sabendo, pois não demorou nada, a sua alta foi assinada e aquele paciente deixou o hospital. Achei isto tudo muito rápido e estranho. E ele mais ainda.
A médica que veio falar com ele sobre a sua liberação era tão nova que mais parecia uma estagiária., mas foi bem objetiva:
-"Olha, o senhor vai voltar para a sua residência porque o seu quadro clínico está ótimo. A sua pressão voltou ao normal. So que se sentir qualquer tipo de tontura, procure logo o Pronto Socorro. Não vacila. Pois, como o senhor sabe: "Onde há fumaça, há fogo"
Ao ouvir isso ele chegou a pensar que ela estivesse sendo irônica, pois o maço de cigarros estava bem visível no bolso da sua camisa. Tão logo ela saiu, ele partiu para o seu fumódromo particular e depois falou:
-A médica bonitinha foi falar em fumaça e aguçou o meu paladar. E além do mais já estou mesmo liberado para ir para minha casa! Olha, seu João, não se esqueça de pedir para a sua patroa preparar, logo que sair daqui, um feijão com pé de porco dentro, uma rabada, mocotó ou feijoada que num instante o senhor voltará a ser o que era antes. Pois comida de hospital só deixa o doente mais doente a cada dia que passa...Por falar nisto, passe bem!
-E você também!


Próxima postagem: 4º EXAME: COLONOSCOPIA

domingo, 6 de novembro de 2011

2º EXMAE: RAIO X DO PULMÃO

Confesso que fiquei muito surpreso quando o Dr. Maurício pediu que fosse submetido a um Raio X do pulmão. Mesmo eu tendo dito, só não tinha como provar naquele momento que já o tinho feito há dois meses e o outro médico não tinha constatado nada de anormal, mesmo assim ele não se deu por satisfeito diante da minha confirmação. Não se conformou. Simplesmente deu uma de São Tomé, só acreditava mesmo vendo, alegando apenas que aquele pedido fazia parte da avaliação da minha anemia crônica e precisava para constar no meu prontuário que, aos poucos ia se transformando num livro. Por outro lado, eu só não entendia qual a relação desse exame com o problema que eu tinha. Mesmo assim, fi-lo sem maiores problemas ou quase. Por exemplo, para começar, já não gostei do horário. Pois a enfermeira veio me buscar, coincidentemente na mesma hora em que a minha esposa chegara para me visitar e também era a hora do chá da tarde. Que chique!
A funcionária que ia me levar, por sinal, acomodado numa cadeir de rodas (norma hospitalar) quando chegou próximo do elevador encontrou com um colega de profissão que precisava também do seu serviço e era mais urgente. Pensei imediatamente: Ah, que bom, ela vai me levar de volta e vou tomar o meu chá com bolachas e conversar com a minha esposa!" Grande equívoco da minha parte. Imediatamente ela pediu a outra enfermeira que passava pelo o local para levar até à sala de Raio X. Esta atendeu, porém com muita má vontade, por sinal, com uma cara de poucos amigos. Ao encontrar outra no elevador, a fofoca correu solta que eu fiquei até com vergonha, Sinceramente, naquele momento se eu fosse surdo ganharia muito mais! Deus me livre! O certo ou errado é que ninguém ali naquele elevador estava entendendo nada daquela fofoca, exceto eu, humilde paciente. Tive até dó daquela primeira enfermeira que pediu este favor, talvez por um justo motivo, mas foi mal interpretada, chegando ser caluniada por esta colega. Só não foi chamada de "santa", coitada!
Chegando ao local do exame, a dita cuja fofoqueira simplesmente me deixou num local impróprio, inclusive de costas para a entrada da sala de Raio X. Nada reclamei porque nada conhecia naquele local. Para mim estava tudo bem. Porém, quando uma secretária percebeu a posição daquela cadeira de rodas naquela posição, quase atrapalhando outras pessoas que passariam pelo local, falou lá da sua confortável cadeira:
-O senhor vai tirar Raio X?
-Creio que sim - respondi sucintamente.
- E quem o deixou nesta posição aí?
- Ora, uma enfermeira com muita má vontade. Mas não se preocupe que eu posso me arrumar . Em seguida me levantei da cadeira de rodas, deixando aquela recepcionista boquiaberta e estupefata, parecia que ela estava vendo alguma assombração:
-Meu Deus, que suto! Eu não sabia que o senhor podia andar! Pensei logo num milagre!
-Pode ficar tranquila, jovem. Ainda não é um milagre. Pode ficar sossegada que eu não tenho nenhum problema nas minhas pernas, o que eu tenho é anemia crônica!...
-Desculpe, senhor!
- Está desculpada, mas eu é que peço pelo susto que você levou. Se me der uma bola, posso até fazer um pouco de embaixadinha aqui, se o ambiente fosse adequando...- brinquei para deixar o ambiente mais descontraído.
Após o exame, a mesma secretária ligou convocando alguémm para vir me buscar. Graças a Deus veio outra pessoa menos estressada e fofoqueira. Apesar de não ter demorado muito, mesmo assim quando cheguei ao quarto da enfermaria o lanche já tinha sido recolhido, mas em compensação a minha esposa ainda estava lá de plantão, só me aguardando e, evidentemente, com algumas poucas, mas deliciosas guloseimas, que foram consumidas sorrateiramente, uma vez que não eram permitidas dentro do ambiente hospitalar. Mas, pensando bem, para quem está com anemia e ficar sem comer nada por causa de um transtorno qualquer alheio à sua vontade, é pura idiotice. E ataquei as frutas e biscoitos que ela trouxera para mim.

João Bosco - (Próxima postagem: 3º Exame: ULTRASSONOGRAFIA

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

UM ADVOGADO LOQUAZ

Dos quatro pacientes que ficaram no mesmo quarto de enfermaria comigo, esse pareceu mais lúcido, sem dúvida alguma. Pelo que se podia perceber era que a sua doença não afetava em nada a sua loquacidade. E como falava! E bem, diga-se de passagem. Também pudera, o homem era um advogado e tanto! E já chegou querendo modificar algumas coisas. Não suportava ver nada fora do lugar ou errado.
Logo que chegou, quando precisou tomar o primeiro banho, já percebeu logo que o chuveiro não funcionava satisfatoriamente. Logo após o banho "incompleto", como o próprio fazia questão de dizer, pediu que alguém providenciasse outro chuveiro ou mandasse arrumar aquele e explicou qual era o problema e coisa e tal. O homem era mesmo objetivo e decidido, inquieto, exigente etc. Em seguida, usando o seu inseparável celular, pediu ao seu filho que providenciasse imediatamente um televisor. Não demorou nada, um dos seus filhos, por sinal, era médico, apareceu com o televisor solicitado. Na mesma hora o ligou e o ambiente ficou bem melhor, não resta dúvida.
Com relação ao celular até que me foi útil também, pois ele insistia que eu usasse para me comunicar com a minha família. Até que aceitei, amiúde, por que não? Agora, quanto o televisor, coincidência ou não, no dia seguinte entrou um rapaz uniformizado de uma assistência técnica e foi logo perguntando:
-De quem é esse televisor?
- É meu, por quê? Falou também incisivamente o advogado ali presente, ainda bem.
- Dá licença, mas precisa desligá-lo, pois vamos instalar um aparelho em cada quarto!
- À vontade, meu jovem! - respondeu o advogado que só observava aquela movimentação ali.
E realmente, outro aparelho de televisão foi instalado na enfermaria e ligado. Só que o controle remoto não tinha, pelo menos, naquele momento. Mas logo depois apareceu outro funcnionário com o dito cujo, testou-o e só perguntou:
- Pode deixar nesse canal mesmo?
- Mas qual é a dúvida, meu caro, respondeu o advogado - vai levar o controle remoto embora?
-Sim, senhor, vou levá-lo para fazer a devida numeração e depois eu trago!
Grande lorota aquela! Realmente desapareceu com aquele pequeno aparelho, enquanto o televisor ficou ligado direto no mesmo canal até de madrugada, quando um dos pacientes resolveu desligá-lo. Pois dava dó de ir lá na enfermaria "acordar" alguém só para desligar um televisor. Paciente também perde a "paciência" e toma alguma iniciativa. Ficar só no leito, aguardando alguém, a não ser no último caso, quando por exemplo, a pessoa não pode se locomover, andar etc.
No dia seguinnte aquele loquaz advogado, que cativara tanto as enfermeiras, recebeu alta e a entrada e saída delas diminuiu bastante. Inclusive teve uma, particularmente, que segundo mesmo me falou, quase se ofereceu para cuidar do mesmo na residência do próprio, uma vez que ficou bastante atraída por ele. Realmente, a lábia dele com o universo feminino era por demais insinuante, irresistível, sei lá. O homem demonstrava mesmo ser um paquerador nato. Só se comportava mais, quando recebia a visita da "dona da pensão", como o próprio definia a sua esposa.

Próxima postagem: Mais exames...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

EXAMES DIVERSOS


O médico que estava acompanhando o meu quadro de saúde, além de novo, era nissei, por sinal, mluito esforçado, educado, diga-se de passagem. Seu nome: Dr. Maurício. Através de alguns exames de sangue, ele acompanhava, paulatinamente, como estava a anemia que me assolava, só que o seu objetivo precípuo era descobrir a sua causa. Sendo assim, neste ínterim, pediu para eu ser submetido a alguns exames mais sofisticados, detalhados. E o primeiro deles foi a ENDOSCOPIA.
Como eu já tinha feito esse exame anteriormente, por sinal, não acusara nada de anormal, fí-lo novamente, sem maiores preocupações. Só um detalhe: nada contra o homossexualismo, mas percebi que, logo que o enfermeiro me deixou no local do exame já pensei logo naquele líquido que teria que ingerir alguns minutos antes. Só que, o auxiliar de enfermagem, um rapaz bastante jovem, portador de um penteado exótico, gesticulando muito, ficou bastante tempo conversando com o rapaz que me trouxer de maca, esqueceu deste medicamento, o que fez com que o exame fosse atrasado por alguns minutos. Após ser chamado a atenção pelo médico responsável, o dito cujo, se aproximou de mim e todo apavorado, murmurou:
-"Abre a boquinha, bem!"
Sinceramente, depois de ouvir isto, a minha vontade foi de dar uma risada, mas o meu estado de saúde não m'o permitia. Tive relevar aquela situação inusitada. O certo é que o exame foi realizado normalmente e não senti nada, ainda bem. Quando me trouxeram para a enfermaria, a minha esposa já estava lá, pois era hora de visita. Ela aproveitou para ajudar a me servir a alimentação que me foi fornecida. Após isto, sentindo ainda o efeito do medicamento, caí no sono e só acordei com a chegada de outro companheiro de enfermaria, isto é, outro paciente.


Próxima postagem: Um advogado loquaz

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

Seu Edgar: um companheiro de enfermaria


Logo de cara dava para perceber que se tratava de uma pessoa confiável. Pra ser sincero, nem parecia que estava tão doente assim para ficar internado naquele hospital. Mas, como eles costumam dizer: "cada caso é um caso".
Mas o seu Edgar, conforme estava dizendo, estava bastante inconformado com aquela súbita internação, pois conforme me falou logo que chegou, não tinha caído a ficha ainda. Ninguém da sua família sabia direito o que acontecera com ele. O dito cujo, menos ainda. O certo ou errado é que estava ali para ser tratado. E pelo que me contou, realmente o seu caso era bem atípico, para não dizer, muito estranho e de difícil explicação. Com a palavra o seu Edagar:
-"Olha, seu João, o que aconteceu comigo ontem, após o almoço, na minha residência foi algo que ninguém conseguiu entender nada. Nem os próprios médicos que me atenderam logo que dei entrada no Pronto Socorro do bairro onde moro. Só sei que chegaram a comparar o que houve comigo o mesmo que aconteceu com o jogador Ronaldo, o fenômeno, naquela fatídica Copa do Mundo, quando perdemos para a França."
-Então foi uma convulsão? - Tentei arriscar um palpite.
-"Olha, isto ninguém tem certeza. Só lembro que terminei de almoçar e como faço normalmente tiro um cochilo. Então, segundo a minha dileta esposa, repentinamente, pulei do sofá, ameaçando quebrar tudo que estava na sala. Não obedecia e muito menos reconhecia ninguém. Ao mesmo tempo que balbuciava palavras sem nexos, ficando totalmente irreconhecível de uma hora para outra. Segundo ela e os vizinhos, eu tentava morder, bater quem tentasse me segurar. E só conseguiram quando o resgate chegou e em seguida me levaram para o Pronto Socorro mais próximo.
-E aí, quando ficou consciente?
-"Então, seu João, chegando neste PS, por sinal, um lugar horrível, imundo, fedido, sei lá, eu já estava um pouco melhor, mas ainda um pouco tonto, sei lá. Então pedi logo, pelo o amor de Deus, para me tirarem logo daquele antro. Por fim, graças a um médico mais atencioso, apesar da correria naquela hora, ele fez uma guia e me trouxeram para este hospital, através do meu convênio médico. E agora não sei o que vai acontecer comigo. Só tenho certeza de que não sinto nenhuma dor e acho que estou bom, não é verdade?"
-Sem dúvida, seu Edgar. O senhor parece bem disposto - confirmei.
E realmente ele tinha toda a razão. Só ficou um dia internado. Ou melhor, algumas horas. Logo em seguida recebeu alta, conforme a sua previsão.
Eu fiquei só , mas foi por pouco tempo. Logo me transferiram para um quarto contíguo, onde tinha um leito vago. E neste onde eu estava, iria ser ocupado por duas pacientes, simultaneamente. Portanto, tinha muita lógica. Não reclamanei de nada e a transferência foi feita sem nenhum problema. Pelo menos, por enquanto.
Pela movimentação das pessoas neste outro quarto e gemidos sucessivos do paciente ao lado, cheguei logo à conclusão que a minha tranquilidade tinha acabado. Mas também, pudera! Eu tinha que me conscientizar que estava num hospital, não era no meu lar, não. Pelo visto, a minha leitura costumeira e predileta iria ficar adiada, pelo menos, por enquanto. E foi realmente, o que aconteceu. No dia seguinte, aquele paciente que precisva de visita durante as 24 horas, logo foi transferido para outro hospital. O motivo da sua doença não fiquei sabendo, mas também,do que adiantava, se não poderia ajudar em nada...pelo contrário, eu também estava ali, dependendo da ajuda dos outros. E desejei, como sempre fiz, muita boa sorte e felicidade a todos que iam deixando o hospital.


Próxima postagem: Exames Diversos

sábado, 15 de outubro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA

COLETA DE SANGUE


A enfermeira que veio colher a amostra de sangue encontrou muita dificuldade para realizá-la, devido o meu estado de saúde bastante debilitado. Encontrar uma veia disponível no meu braço seria o mesmo que encontrar uma agulha num palheiro. Apesar da sua experiência ela não conseguiu o seu objetivo. Teve que solicitar ajudar a outra colega. Até que achei a sua atitude bastante coerente e melhor para mim, pois assim não sofreria tanta picada em vão. A socorrista de plantão chegou e tentou fazer a coleta no outro braço e após uma dificuldade inicial, finalmente conseguiu. Em silêncio fez o serviço e calada saiu, ou seja, não fez nenhum comentário que depreciasse a capacidade da sua colega. Tudo é uma questão de tática e paciência.
Aguardei mais duas horas pelo resultado. Pelo visto, essa segunda internação estava seguindo os mesmos trâmites da primeira. Entre a minha chegada ao hospital e a internação o tempo de espera foi de, aproximadamente, oito horas. Vale ressaltar que eu estava num hospital, através de um convênio médico. Agora imagina se não tivesse esse direito.
Por fim, fui levado para uma sala onde mais três pacientes aguardavam uma liberação para as respectivas internações. Não demorou muito, solicitei a uma enfermeira que providenciasse algo para me alimentar, pois eu estava ali desde as onze horas da manhã. Como diz o ditado: "Quem não pede, Deus não ouve!", não demorou muito, uma janta foi servida, por sinal, no mesmo momento em que a minha esposa adentrou na sala. E já sabendo que logo eu seria levado para a enfermaria, pediu que ela regressasse para nossa residência. Pois também ela já estava bastante angustiada e cansada.
Logo que me colocaram no leito, não demorou muito, trouxeram outro paciente para a outra vaga no quarto. Foi bem melhor assim, porque resolvemos trocar algumas ideias antes de dormir. A princípio, dava para perceber que o seu Edgar era uma ótima pessoa.

(Próxima postagem: Comentários sobre o seu Edgar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A SAGA DE UMA ANEMIA CRÔNICA -

SEGUNDA INTERNAÇÃO

(Dia 10 de março de 2003 - 11 horas)


Lembro-me muito bem que era uma segunda-feira ensolarada e linda, por sinal. Mas para mim nada disso adiantava muita coisa. Não demonstrava prazer em nada. Como ainda estivesse com o corpo muito debilitado e a mente desligada das coisas boas, esforçava-me o máximo para aguentar aquela longa espera para passar no médico. A minha esposa, como sempre, estava ansiosa, nervosa, impaciente e com maus pressentimentos de que eu seria internado pela segunda vez e então não saía do meu lado para nada.
Após três horas fui chamado para a consulta. Logo que olhei o médico já perdia confiança. Explico: era tão novo que mais parecia um residente, um estudante de medicina no último ano, aparentando apenas 23 anos. Inclusive, enquanto me consultava, olhava mais para as enfermeiras que entravam e saíam da sala, as quais sempre jogavam alguma indireta, mais parecendo uma paquera em pleno local e horário de trabalho. Percbi facilmente que alguma delas falava a palavra "licença" só para disfarçar e uma palavrinha e gesto mais aconchegantes, entre sorrisos maliciosos saíam dando risada.
E eu com isto? Da minha parte, como paciente já impaciente, não poderia censurar, reclamar nada, pois apesar de tais insinuações, aquele médico não demonstrou, por nenhum momento, menosprezo, indelicadeza quanto ao meu atendimento. Isto posso garantir que não houve e se tivesse acontecido, sinto muito, seria o cúmulo.
O médico em questão que estava me examinando, após fazer as perguntas de praxe, pediu-me os exames anteriores, como se estivesse com alguma dúvida e com razão. E se a tinha, a mesma foi dissipada, pois logo já me encaminhou para fazer um hemograma completo.


(Próxima postagem: COLETA DE SANGUE DIFÍCIL)